Teste avançado de DNA pode resolver o caso Isabella, diz especialista

 Um simples exame pode indicar se o sangue encontrado no carro da família é da Isabella Nardoni. Essa dúvida até hoje não foi esclarecida pelos peritos e uma técnica rápida e eficiente que pode mudar até a história do assassinato da menina. O professor Elizeu Fagundes de Carvalho, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, é um dos principais especialistas do Brasil em biologia molecular e análises de DNA. Ele é categórico: amostras de sangue de Ana Carolina Oliveira, a mãe de Isabella, podem ser fundamentais para esclarecer parte do que aconteceu na noite de 29 de março, quando a menina foi assassinada.

"Em termos de análise genética, o caso ainda precisa ter continuidade. Há de ser coletada pelo menos amostras de Ana Carolina Oliveira, a mãe de Isabella", diz Carvalho. A pedido do Fantástico, ele analisou os resultados dos exames feitos pelos peritos da polícia de São Paulo. No carro da família e no apartamento, foram colhidos 23 vestígios de sangue para tentar extrair o DNA.

Do material recolhido, 11 amostras foram consideradas insatisfatórias: os peritos encontraram sangue nelas, mas não em quantidade suficiente para identificar o DNA. Nesses casos insatisfatórios, não dá pra afirmar de quem é o sangue.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com uma fralda encontrada no apartamento e que, segundo a delegada que comanda as investigações, Renata Pontes, teria sido usada para limpar o sangue de Isabella. A polícia achou a fralda dentro de um balde com água, em processo de lavagem. Segundo o laudo, os exames encontraram sangue na fralda, mas não foi possível extrair e identificar o DNA.

Segundo o professor Elizeu, que é integrante do Conselho Federal de Biologia, o exame de DNA realizado pelos peritos do caso Isabella foi o de DNA genômica, também chamado de DNA nuclear, que é o teste mais comum. "O DNA nuclear é o DNA que está presente no núcleo das nossas células", afirma o professor.

Segundo o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, existe um outro tipo de exame de DNA - mais avançado - que poderia confirmar se não há mesmo sangue de Isabella nas amostras que deram resultado insatisfatório. É o teste de DNA mitocondrial.

"Ela é uma molécula que garante possibilidades de análises quando o DNA nuclear está muito degradado ou quando está em quantidade muito baixa, como se vê nesse laudo. A quantidade para fazer DNA mitocondrial é da ordem de mil a 10 mil vezes menor do que a quantidade necessária para fazer a análise do DNA nuclear", explica. O DNA mitocondrial, diz ele, é herança exclusivamente materna.

O professor Elizeu Fagundes de Carvalho já esteve à frente de mais de 30 mil análises de DNA - 300 relacionadas a investigações criminais. Ele afirma que se esse exame for feito, usando amostras de sangue de Ana Carolina Oliveira, a mãe de Isabella, seria possível dizer, com mais precisão, se na mancha encontrada na cadeirinha do bebê há ou não sangue da menina. A resposta, tanto para defesa quanto para a acusação, é considerada decisiva para explicar o que aconteceu na noite do crime.

O laudo mostra que na mancha da cadeirinha havia mistura de materiais biológicos de duas ou mais pessoas - uma delas do sexo masculino. O resultado, portanto, foi inconclusivo. Na mistura da cadeirinha foi descoberto, inclusive, material genético que não pertence a nenhuma das pessoas que teve o sangue analisado.

Na hora de comparar o material encontrado na cadeirinha com os sangues de Isabella, do pai e da madrasta, havia trechos de DNA que simplesmente não batiam. A conclusão dos peritos ouvidos pelo Fantástico é que vieram de outra pessoa. E não podem ser dos irmãos de Isabella, porque, como eles são filhos de Alexandre e Anna Jatobá, é impossível terem trechos de DNA tão diferentes do DNA dos pais.



Fonte: G1 - Globo

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